
A evolução da tecnologia e a digitalização do Judiciário trouxeram inúmeros benefícios, garantindo celeridade e transparência ao acompanhamento processual. No entanto, essas mesmas facilidades têm sido exploradas por estelionatários em crimes cibernéticos cada vez mais sofisticados. Um dos golpes que mais tem crescido no Brasil é o do “falso advogado”, que agora atingiu um novo patamar de periculosidade com o uso da Inteligência Artificial (IA).
Escritórios de advocacia em todo o país vêm alertando a sociedade sobre quadrilhas especializadas que estão clonando a voz e a imagem de profissionais do Direito para enganar pessoas que possuem processos em andamento e extorquir valores financeiros.
O golpe geralmente começa com a coleta de dados. Por meio de consultas a publicações em Diários Oficiais e sistemas públicos dos tribunais, os criminosos identificam o nome das partes, o número do processo e o escritório que as representa. Com o cruzamento de dados vazados na internet, conseguem o número de telefone das vítimas.
A novidade alarmante, contudo, é a utilização da técnica conhecida como Deepfake. Com o auxílio de softwares de Inteligência Artificial, os golpistas capturam áudios e vídeos reais disponíveis nas redes sociais, palestras ou sites institucionais. A partir desse material, a IA gera mensagens de voz e vídeos falsos incrivelmente realistas.
As fraudes envolvem a simulação de contatos de advogados que atualmente compõem as bancas, e até mesmo o uso da imagem de antigos integrantes das equipes, na tentativa de dar credibilidade à abordagem e confundir a vítima.
A abordagem costuma ocorrer por aplicativos de mensagens, como o WhatsApp. Utilizando um número desconhecido — mas com a foto e o nome do advogado —, o criminoso envia mensagens, áudios clonados ou até vídeos gerados por IA com um discurso muito convincente.
Normalmente, o fraudador alega que a causa foi ganha ou que há um “alvará de pagamento” prestes a ser liberado. Para que o dinheiro caia na conta do cliente, o falso advogado exige o pagamento imediato de supostas “taxas de urgência”, “custas processuais”, “impostos” ou “honorários periciais”.
Para dar aparência de legalidade, os estelionatários costumam enviar documentos em PDF com timbres falsificados do Tribunal de Justiça ou do próprio escritório de advocacia.
A perfeição alcançada pelas ferramentas de Inteligência Artificial faz com que a desconfiança seja a principal linha de defesa. Para proteger o seu patrimônio, é fundamental adotar as seguintes práticas:
A advocacia é uma profissão pautada na ética e na confiança. O combate a essas práticas criminosas passa pela informação e pela adoção de cautelas básicas no ambiente digital. Caso receba qualquer solicitação financeira atípica, a recomendação de especialistas e das autoridades policiais é clara: não efetue nenhum pagamento e procure os canais oficiais do seu advogado para checar a veracidade da cobrança.
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