
O departamento financeiro de sua empresa recebe uma mensagem urgente via WhatsApp. O interlocutor utiliza a foto de um dos sócios deste escritório e solicita um depósito imediato via PIX para viabilizar a liberação de um alvará judicial de alto valor. A abordagem é técnica, cita números de processos reais e demonstra conhecimento sobre decisões recentes. O que parece ser um trâmite processual padrão é, na verdade, uma fraude sofisticada que utiliza a publicidade de dados dos tribunais para lesar o caixa corporativo. O prejuízo não é apenas financeiro, mas operacional.
Criminosos monitoram o Diário Oficial e os sistemas de tribunais como o TRF3 e o TRT2 em busca de movimentações financeiras vultosas. Eles focam em processos que atingiram a fase de execução ou que possuem depósitos recursais prestes a serem levantados. Com essas informações em mãos, o fraudador constrói uma narrativa de extrema verossimilhança para enganar diretores e gestores de RH. A abordagem não é aleatória. Ela é cirúrgica.
A tática consiste em mimetizar a identidade visual da banca jurídica, clonando perfis ou utilizando logotipos oficiais para conferir autoridade à mensagem. O gatilho utilizado é quase sempre o da oportunidade imediata misturado à falsa urgência. Alega-se que o pagamento de uma “guia de custas de última hora” ou de “honorários periciais pendentes” é a única barreira para que um crédito milionário entre nas contas da companhia.
Um sinal de alerta inequívoco é a solicitação de transferências para contas bancárias de terceiros ou CPFs que não pertencem ao Poder Judiciário ou à sociedade de advogados contratada. No ecossistema empresarial, onde os pagamentos costumam seguir fluxos de aprovação rígidos, os golpistas tentam subverter a hierarquia pressionando o funcionário pelo canal de comunicação mais direto e informal disponível. O uso do WhatsApp para demandas financeiras urgentes deve ser tratado, por princípio, como suspeito.
Nenhum tribunal condiciona a entrega de valores de alvarás ao pagamento antecipado de taxas via PIX ou transferências instantâneas para contas de pessoas físicas. A urgência fabricada é a maior arma do fraudador. Quando o senso de imediatismo é imposto, a capacidade de análise crítica da equipe financeira diminui, abrindo brechas para que protocolos internos de segurança sejam ignorados em nome de uma suposta agilidade processual.
A prevenção exige que a empresa institua uma política de “validação humana” inegociável para toda e qualquer transação originada por mensagens digitais. Antes de autorizar qualquer pagamento, o setor responsável deve confirmar a veracidade da solicitação através dos canais oficiais estabelecidos em contrato. Ignore contatos de números desconhecidos, ainda que tragam a foto do advogado de sua confiança. Uma simples ligação para o número fixo da banca ou uma chamada de vídeo para o sócio responsável encerra a tentativa de fraude na origem.
A regra de ouro é a desconfiança sistemática diante de solicitações atípicas. É fundamental que os dados do beneficiário sejam checados minuciosamente antes da conclusão de qualquer operação bancária. Em processos corporativos, as guias de recolhimento possuem formatos padronizados e códigos de barras vinculados diretamente às contas judiciais dos tribunais, nunca a chaves PIX aleatórias ou contas correntes de indivíduos estranhos à lide.
Caso uma tentativa de golpe seja identificada, a preservação de evidências digitais é o primeiro passo para a proteção jurídica e patrimonial. Capture telas de toda a interação, documente o número de telefone de origem e salve o histórico das conversas sem apagar nenhum dado. O registro imediato de um Boletim de Ocorrência é essencial para que as autoridades de inteligência cibernética possam rastrear a origem do ataque e as contas receptoras dos valores.
A comunicação imediata com o escritório é o passo final e mais importante para garantir a integridade dos seus processos. Nossos advogados podem orientar as medidas cabíveis junto aos tribunais e órgãos de investigação criminal. A segurança da relação jurídica entre cliente e advogado depende de uma comunicação clara, oficial e, acima de tudo, resistente às investidas da engenharia social.
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