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Declarações e garantias em contratos de M&A: como reduzir riscos na operação

Comprar ou vender uma empresa é um dos passos mais importantes na trajetória de um empresário. No entanto, essa transação envolve uma complexidade que vai muito além do aperto de mãos e da definição do preço.

Um dos maiores desafios em operações de M&A (Mergers & Acquisitions) é a assimetria de informações. O vendedor conhece profundamente o histórico do negócio, enquanto o comprador precisa de segurança para investir seu capital.

Para equilibrar esse cenário, surgem as cláusulas de Declarações e Garantias (ou Representations and Warranties). Elas são o alicerce que garante a transparência e a viabilidade jurídica de qualquer transação societária.

O que são as Declarações e Garantias?

Essas cláusulas funcionam como uma “fotografia” da realidade jurídica e fática da empresa no momento do negócio. O declarante afirma que certos fatos são verdadeiros e assume a responsabilidade por eles.

No Brasil, essas declarações decorrem do princípio da boa-fé objetiva. Elas obrigam as partes a informar com clareza as condições do ativo, revelando documentos e dados relevantes que impactam diretamente o valor da transação.

Por que essas cláusulas são vitais para o empresário?

Sem declarações bem redigidas, o comprador assume o risco de “comprar no escuro”. As Representations and Warranties cumprem três funções principais para quem gere o negócio:

  • Informativa: Revelam a real situação tributária, trabalhista e ambiental da empresa.
  • Assecuratória: Garantem que, se um dado for falso, haverá uma reparação.
  • Probatória: Servem como prova documental do que foi prometido durante a negociação.

Proteção contra passivos ocultos

Se após o fechamento da operação surgirem dívidas ou processos não declarados, as cláusulas de garantia permitem que o comprador seja indenizado. Isso evita que o investimento se torne um prejuízo inesperado.

Impacto direto na precificação

Quanto mais sólidas e abrangentes forem as garantias, maior a segurança do comprador, o que pode influenciar positivamente na avaliação final do ativo e nas condições de pagamento.

Como limitar a responsabilidade: Conhecimento e Materialidade

Nem toda informação pode ser garantida de forma absoluta. Por isso, é comum o uso de qualificadores, que ajustam a responsabilidade do vendedor a parâmetros razoáveis:

  1. Qualificador de Conhecimento: Limita a responsabilidade apenas ao que o declarante efetivamente sabia ou deveria saber.
  2. Qualificador de Materialidade: Define que apenas desvios que afetem significativamente o valor do negócio geram obrigação de indenizar.

A recomendação técnica é sempre transformar esses critérios subjetivos em parâmetros objetivos dentro do contrato, evitando discussões judiciais futuras.

A relação com a Indenização e o Fechamento

As declarações não terminam na assinatura do contrato. Elas se conectam às condições precedentes (atos que devem ocorrer antes do fechamento) e às cláusulas de indenização.

Se os fatos declarados não se verificarem na prática, a parte prejudicada tem o direito de ser ressarcida pelas perdas sofridas. O cuidado na elaboração dessas linhas é o que separa um negócio de sucesso de um litígio desgastante.

Conclusão

A segurança jurídica em operações societárias depende da precisão das informações trocadas. Compreender o papel das declarações e garantias é essencial para qualquer gestor que busca expandir ou consolidar sua posição no mercado com previsibilidade.

A compreensão desses mecanismos é vital para a saúde da empresa. Caso tenha dúvidas sobre como aplicar esses conceitos ao seu caso específico, nossa equipe está à disposição para orientações informativas.

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